lunes, 29 de abril de 2019

FERNANDO AGUIAR AGUIAR ART ACTION #2 6 a 28 de Abril Galeria Casa d’Avenida

 
 
 
 
 
 
  FERNANDO AGUIAR 
 
  AGUIAR ART ACTION #2 
 
 6 a 28 de Abril
 
Galeria Casa d’Avenida
Av. Luísa Todi, 286
Setúbal
 













 
“AGUIAR ART ACTION #2” tem como linha condutora as diversas ações estéticas e intervenções poéticas que Fernando Aguiar tem realizado,
pelo que a sua imagem não aparece como forma de autorrepresentação mas como elemento gráfico que é utilizado esteticamente na conceção
de outras obras: performances que são fotografadas / fotografias que são impressas / impressões que resultam colagens
/ colagens que são manipuladas digitalmente / imagens digitais que são o ponto de partida para as pinturas.
A exposição apresenta trabalhos que assinalam essas fases do processo criativo e que resultam, por sua vez, em obras autónomas,
num método de revisitação do próprio trabalho.
A exposição integra ainda obras que registam outras fases das intervenções estéticas,
como um projeto de performance a realizar na Lua (“IMPONDER(H)ABILIDADE”, 1983),
ou os resquícios de uma performance(“MUY FRÁGIL” , 2006).



FERNANDO AGUIAR

está representado nas seguintes coleções:

Museu de Serralves 
Millenium BCP
Museo Vostell Malpartida
Fundação Cupertino de Miranda
Museum Für Modern Kunst
Fondazione Berardelli
Szent István Király Múzeum
Museo de las Encartaciones
Luciano Benetton Collection
Museu Municipal Santos Rocha
National Center of Contemporary Art
Fondazione Bonotto
Instituto Federico Garcia Lorca
Museo D’Arte Moderna e Dell’Informazione
e em muitas outras coleções institucionais e particulares.

domingo, 21 de abril de 2019

Trajetórias e saberes dos povos originários, por Luiz Henrique Eloy Amado – Philos

Trajetórias e saberes dos povos originários, por Luiz Henrique Eloy Amado – Philos





Os povos indígenas têm muito para oferecer às sociedades não indígenas. São detentores de uma cultura riquíssima, marcada pela diversidade de línguas, cosmovisões e modos de vida no seu trato com a natureza e a espiritualidade, que se traduzem no bem viver. Temos também o nosso modo de fazer política, consistente em ações que visem à garantia de direitos historicamente conquistados.
Em 2018 a Constituição completou 30 anos de sua promulgação. Conhecida como Constituição Cidadã, documento que reconheceu diversos direitos socioambientais e solidários, a Carta de 1988 trouxe também um capítulo específico dedicado aos povos indígenas, inovando na ordem jurídica brasileira e reconhecendo um Estado pluriétnico, impondo o dever de respeito às organizações sociais, às línguas, aos costumes, às crenças e às tradições dos povos originários deste país.
Quando se fala em direito dos povos indígenas, é muito comum se referir à Constituição Federal. Não por acaso, ela é, sem dúvida, uma legislação divisora de águas na história do indigenismo brasileiro, pois marcou a transição de mudança de paradigma na relação do Estado brasileiro com os povos indígenas. Se antes a orientação estatal era “integrar” os povos indígenas à dita “comunhão nacional”, partindo da ideia de que essas sociedades eram sinônimo de atraso social e cultural, a nova Carta rompe com essa visão e determina o respeito e a manutenção dessa diversidade cultural.
Entre as lideranças, também é consenso referir-se ao documento quando se fala nos direitos dos povos originários. É sempre bom rememorar a participação ativa dos povos indígenas no processo da Constituinte de 1988, que resultou na elaboração de um texto que contemplasse a dimensão sociocultural indígena. Lideranças de diversos povos e oriundas das mais variadas regiões do país compareciam diariamente no Congresso, ocupando os corredores da casa legislativa, fazendo lobby com os deputados constituintes com o único intuito de levar suas propostas para que seus direitos fossem contemplados. Sem dúvida, o episódio é um exemplo de participação ativa na construção da cidadania intercultural, fruto da luta do movimento indígena brasileiro.
Quando se fala nesse movimento, é comum citar as décadas de 1970 e 1980 como o início da mobilização indígena no país. No entanto, é preciso relembrar que o movimento é um processo de resistência que existe desde quando a Coroa portuguesa aportou neste território, em 1500, por parte de várias comunidades e lideranças, as quais, cada qual ao seu modo próprio, se opuseram ao processo colonial.
Contudo, precisamos, é claro, destacar que em cada momento histórico o movimento indígena foi marcado por formas, simbolismos e apropriações estratégicas. Ou seja, os anos 1970 e 1980 foram apenas mais uma maneira de como lideranças se apropriaram e se posicionaram perante aquele contexto histórico, mais uma etapa marcada por lutas e conquistas que se extraíram concretamente de líderes como Raoni Metuktire, Megaron Txucurramãea, Ailton Krenak, Álvaro Tukano, Domingos Veríssimo Terena e Paulinho Piakan.
Estamos relembrando os 30 anos da Constituição, um documento que marcou em muito a vida das comunidades indígenas. Neste ano, o Mekukradjá – Círculo de Saberes: o Movimento da Memória, promovido pelo Itaú Cultural e que contou com a curadoria de Daniel Munduruku e da antropóloga Junia Torres, propiciou o encontro de várias dessas figuras históricas e também de uma geração de jovens indígenas que trazem em sua trajetória a passagem pelas universidades. Tendo a oralidade como traço marcante, esses jovens agora se valem de novos instrumentos: “o saber dito científico aliado ao conhecimento tradicional” como arma para a defesa dos direitos dos povos indígenas e da Constituição, que vem sendo atacada ao longo de todos esses anos.
Nossas lideranças dão exemplo de verdadeira participação democrática e incidência nos poderes republicanos, pois, todas as vezes em que alguma decisão lhes afeta, elas deixam suas aldeias e vão a Brasília falar com as autoridades frente à frente. O cacique líder de sua comunidade senta para conversar com o ministro, o presidente, enfim, a autoridade do “branco”. Exemplo concreto disso foi a recente ida de uma comissão de lideranças indígenas da Raposa Serra do Sol, que na bagagem traziam um dossiê sobre suas comunidades, com dados atuais da população, da produção, do sentimento de solidariedade, da autonomia e do bem viver presente entre eles e seu território. O recado levado a todos os gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) foi claro: a decisão da Raposa Serra do Sol foi acertada. O que provocou essa visita ao ministro do STF foi, é claro, uma manifestação do ministro Gilmar Mendes, que em outra situação havia reclamado que a decisão de demarcação daquela terra indígena fora equivocada.
O ano de 2018 foi marcado também pela intensa participação de representantes indígenas no pleito eleitoral aos mais diversos cargos: deputado estadual e federal, senador, vice-governador e até mesmo o caso inédito de Sonia Guajajara concorrer numa chapa presidencial. Ao todo, foram 131 candidaturas indígenas pelo Brasil, demonstrando a percepção que esses povos têm da importância de ocupar o espaço legislativo como arena para a luta por seus direitos, por meio de seus representantes próprios.
O movimento indígena continua, agora com novos personagens que trazem na bagagem a reverência aos seus líderes tradicionais e outros conhecimentos que surgem a partir do contato com a universidade do “branco” – travando uma luta para excomungar dos poderes da República todo e qualquer ato racista que tende a negar direitos a uma coletividade que sempre foi invisibilizada e condenada ao genocídio. Em sua maioria, são atos de agentes estatais que deliberadamente agem contra as populações, não se tratando de mero desconhecimento da questão indígena, mas, sim, de um argumento racista para legitimar a usurpação das terras, favorecendo interesses políticos e econômicos de setores particulares da população brasileira.
O movimento indígena não para. O seu comando não pertence a nenhuma liderança indígena que esteja viva no presente momento. O seu comando pertence aos nossos encantados, aos nossos ancestrais. Por isso, cada qual em sua área de atuação, seja nas organizações indígenas ou nos rincões da máquina pública deste imenso Estado, devemos obediência irrestrita aos valores deixados por nossos ancestrais, sob pena de sermos descartados ao esquecimento. O movimento indígena segue seu ritmo e seu fluxo, segue a resistência para a existência dos povos. Ele não para!

Luiz Henrique Eloy Amado é indígena Terena da Aldeia Ipegue. Advogado, doutorando em Antropologia Social – Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Assessor jurídico da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

sábado, 6 de abril de 2019

Los conquistadores de América del norte

Los conquistadores de América del norte | Periodistas en Español



Los conquistadores de América del norte

Un ensayo y varias novelas abordan desde perspectivas diferentes la extinción de las tribus indígenas de Norteamérica
La carta del presidente de México López Obrador al rey Felipe VI solicitando que  España pida perdón por los excesos en la conquista de México por Hernán Cortéstrae a la actualidad un tema que ha sido tratado desde diferentes perspectivas, dependiendo de los intereses de los imperios que colonizaron aquellos territorios.
La cultura yanqui ha ensalzado tradicionalmente como héroes a los colonizadores que exterminaron a los indígenas, aunque últimamente se han publicado ensayos, se han escrito novelas y se han estrenado películas que son muy críticas con aquellos episodios.
A lo largo de muchos años se han publicado leyendas negras sobre las conquistas de los españoles y de los colonos anglosajones, pero apenas se han divulgado informaciones sobre los excesos que los mismos mexicanos llevaron a cabo en su territorio para exterminar a tribus como los apaches.

La conquista entre la ficción y la historia

La conquista de los territorios que hoy ocupan México y los Estados Unidos ha sido largamente tratada, sobre todo en el cine de Hollywood, que inventó el western, uno de los géneros más celebrados por la industria.
Ahora me rindo cubierta
Un libro de reciente aparición, “Ahora me rindo y eso es todo” (Anagrama), del escritor mexicano Álvaro Enrigue, recoge, entre la historia y la ficción, algunos de los episodios de aquella colonización y exterminio protagonizados por yanquis y mexicanos: “Si los gringos fueron crueles con los apaches, los mexicanos nos quedamos sin madre por hacerles lo que les hicimos y seguimos sin tenerla: no los recordamos y su ausencia en nuestra memoria nos reduce”, afirma Enrigue en este libro.
En 1886, después de su última huida de la reserva en la que había sido  ingresado, el jefe apache Gerónimo se rendía a las fuerzas del general George Crook en el Cañón de los Embudos, en la Sierra Madre occidental. Sus palabras al reconocer la derrota fueron: “Antes me movía como el viento, ahora me rindo y eso es todo”, una sentencia que da título a este libro del escritor mexicano.
La figura de Gerónimo, el último héroe de la Guerra Azteca, centra el desarrollo del libro de Enrigue, una narración de género inclasificable, entre la crónica histórica, el relato novelesco y el diario. Enrigue sigue los pasos de Gerónimo, quien era mexicano y hablaba español, desde que era el temible jefe indio que puso en jaque a los ejércitos de México y Estados Unidos hasta su confinamiento en el Fuerte Sam Houston de San Antonio, Texas, mientras esperaba, acompañado por algunos de los suyos entre los que estaban su propio hijo Chapo, y Naiche, el hijo de Cochís, el tren que iba a trasladarlo a un confinamiento temporal en una reserva de Florida. Gerónimo terminó muriendo a los 79 años en la base militar de Lawton, Oklahoma.
En esta obra de Enrigue las citas históricas y los personajes reales que protagonizaron la rendición de Gerónimo y los suyos alternan con el relato novelesco que cuenta el secuestro de una mujer por un grupo de apaches y la persecución que inicia en su búsqueda una expedición formada por irregulares en territorios controlados por los indígenas.
Las penalidades de la rehén durante su traslado al campamento apache están narradas con un dramatismo que traslada al lector las vivencias de una  situación en el límite entre la vida y la muerte. Camila, nombre de esta mujer mexicana, terminará integrándose y uniéndose al jefe Mangas Coloradas, padrastro de Gerónimo, un episodio inspirado en un suceso real.
Un tercer hilo conductor del libro de Enrigue es un diario donde el escritor cuenta un viaje de vacaciones con su esposa Valeria y sus tres hijos a la Apachería, el extenso territorio de los apaches entre los actuales Estados Unidos y México (incluida una emotiva visita a su cementerio de Fort Still), esos territorios en los que se van desarrollando los episodios, novelescos e históricos, que se cuentan a lo largo del libro. Al final, historia, novela y diario confluyen en una misma narración como si formasen parte de un único relato.

La conquista de la nueva españa

Pocas gestas históricas han alcanzado grados de riesgo y aventura como la de los conquistadores españoles en América. Son conocidas las de Hernán Cortés y Pizarro, aunque no con la suficiencia que otros países y otras culturas han divulgado las suyas (por ejemplo, las ya citadas producciones de Hollywood sobre la  conquista del Oeste).
Sin embargo, permanecen prácticamente ignoradas las epopeyas de los españoles en esa ancha franja de territorio americano que se inicia en la desembocadura del río Colorado y se extiende por el sur de Arizona, Nuevo México, Texas, Arkansas, el valle del Misisipi desde Luisiana hasta el norte de Memphis, y el sudeste de lo que hoy son México y los Estados Unidos: Tennessee, Alabama, Carolina del Sur, Georgia y Florida.
Indios y conquistadores españoles cubierta
Un libro reciente, “Indios y conquistadores españoles en América del Norte” (Alianza Editorial) del historiador francés Jean-Michel Sallmann, rescata del olvido a personajes fascinantes y expediciones fabulosas que, contempladas a la distancia de los siglos que nos separan, parecen producto de la imaginación de un novelista fantasioso. Sallmann se acerca a estas historias con la seriedad y el rigor de un investigador que se interna en el proceloso territorio de una tierra incógnita hollada por aventureros en busca de riquezas y poder.
Tal vez se hable poco de las aventuras de los conquistadores españoles en estos territorios porque el fracaso persiguió prácticamente a todas las empresas y a algunas de forma muy trágica.
Tampoco dieron con las riquezas que suponían que había en ellos: el oro y la plata que pretendían encontrar resultó ser sólo cobre y mica de escaso valor. Para explicar estos fracasos el autor investiga  minuciosamente cómo se organizaban las expediciones, las dificultades de un entorno natural hostil y la feroz resistencia de las tribus indígenas, en parte provocada por los métodos violentos de los expedicionarios.
Las primeras expediciones al norte del territorio de México se desarrollaron en lo que los españoles llamaron Las Floridas, la península de Florida y su zona norte, para más tarde abordar la conquista de Tierra Nueva, al oeste del territorio de los EE.UU. y México.
Además de la gloria los conquistadores buscaban tierras ricas como las de los imperios inca y azteca y un paso de comunicación entre el Atlántico y el Pacífico que facilitase la llegada de los barcos españoles a China y las Molucas con el fin de contrarrestar la influencia de Portugal en Asia, según decidiera el Tratado de Tordesillas. Su fanatismo estaba alimentado también por creencias mitológicas como las de Eldorado y la Fuente de la Eterna Juventud  o por leyendas medievales como la de Las Siete Ciudades.
La más espectacular y novelesca expedición fue la de Alvar Núñez Cabeza de Vaca, cuyos supervivientes (sólo tres de varios centenares) tardaron ocho años en volver a Nueva España tras enfrentarse unas veces y convivir otras con tribus indias de los territorios de Florida, los mismos que exploraron Ponce de LeónLucas Vázquez (fundador de la primera ciudad de América del Norte, San Miguel de Guadalupe) y la trágica de Pánfilo de Narváez, diezmada por los indios y el paludismo.
No le fue mejor a la de Hernando de Soto, veterano de la conquista de Perú, quien tuvo que vadear ríos impetuosos, profundas ciénagas y marismas inhóspitas mientras libraba luchas feroces contra los indígenas en emboscadas y guerras de guerrilla cuyas víctimas hispanas eran decapitadas, descuartizadas y colgadas de los árboles para extender el terror entre los soldados.
Los expedicionarios recorrieron a sangre y fuego Tennessee, la cuenca del Misisipi, Alabama, Memphis y Boston, camino de Texas, donde Soto  perdió la vida y fue sustituido por Luis de Moscoso, una expedición que fue un completo fracaso humano y un verdadero desastre económico.
Episodio poco conocido es también el de los enfrentamientos con los expedicionarios franceses, que no habían aceptado el monopolio de la colonización hispano-lusa bendecido por el Papa.
La España de Felipe II encargó al gallego Pedro Menéndez de Avilés un plan de oposición a la presencia francesa en Florida, contra la que Francia montó  una gigantesca expedición con una flota bajo el mando de Ribaud y un ejército al cuidado de Dominique de Gourgues que destruyó el fuerte de San Mateo y algunos fortines, sin conseguir el control de Florida.
Tras la derrota de los franceses Menéndez tomó Florida en nombre del rey de España y atacó y saqueó la posición francesa de Fort Caroline.
Pero tampoco los españoles permanecieron mucho tiempo porque los indígenas masacraron todas sus guarniciones hasta el punto de que sólo se salvó un español, al que dejaron con vida para que hiciera de mensajero de la tragedia a las autoridades de Santa Elena.
Florida fue entonces considerada por las autoridades españolas como una tierra sin interés y poblada además por indígenas reacios a la sumisión. Sólo interesó entonces la situación estratégica de sus costas para garantizar el suministro de metales preciosos al Tesoro español.
No menos trágicas resultaron las expediciones españolas a Tierra Nueva conducidas por Nuño de Guzmán, fundador del reino de Nueva Galicia y de la ciudad de Compostela, un conquistador de una crueldad tal que Carlos V hubo de destituirlo al tener noticia de sus asesinatos y del comercio de esclavos con los que traficaba.

domingo, 31 de marzo de 2019

Maturén: elegía con tres lustros de retraso – El Cuaderno

Maturén: elegía con tres lustros de retraso – El Cuaderno





Maturén (Ángel Esteban Maturen) nació en el corazón de la vieja Zaragoza el 15 de enero de 1949 y murió en el corazón de la vieja Tarazona —en el edificio de la Fundación Maturén que impulsó su primo, el psiquiatra Vicente Ezquerro Esteban y sufragó en 1997 el Ayuntamiento de la villa— el 7 de marzo de 2005, víctima de un cáncer digestivo. Quien fuera llamado el Picasso aragonés parece olvidado por una sociedad vengativa con sus desplantes de viejo comunista antiburgués y de espíritu al tiempo huraño y tierno, ocultando que fue uno de los grandes pintores españoles de finales del siglo XX.

Muerto el hombre más celebrado, a los diez días, olvidado
Escrito por Ángel sobre su último cuadro, que me envió dedicado, cuando ya tenía clara la sentencia, que muchos ignorábamos, haciendo una soberbia higa al futuro inevitable, que, por cierto, no llegó por el camino esperado. Ya pasados más que los fatídicos diez días, catorce años, observo que la frase, cuyo autor ignoro, no responde a la realidad; no en este caso; no con este amigo. Morosamente, revuelvo papeles anotados con prisa, algún compendio paremiológico, cualquier material que me proporcione frases con las que matizar la muy lapidaria afirmación autógrafa del artista. Y en diálogo con el agradecido recuerdo aún no mellado, reposo en las impresiones de color y forma, que tiempo ha me enseñaron el surgimiento de la creación en la dialéctica entre talento e incansable acción, serpenteante entre escollos de peripecia vital, arriscada, ocasionalmente indecorosa, a veces amable o bronca, nunca fría o lejana. Mojarse y mancharse, mientras se vive.
Último cuadro de Maturén

El arte consiste en ocultar el arte
Muy bonito, Quintiliano, pero es verdad de aspirante al poder. ¿Ves el vaso de agua que pugna por derramarse, la colilla humeante desde incandescente extremo? Técnica perfecta para un muchacho, principio académico ortodoxo. Yo ahora hago primero el dibujo y luego lo voy fastidiando con los colores. Para engañar, claro. Ahora. No pocas veces con pintura de paredes, frotando con una escoba, adhiriendo papel higiénico. Con mucho cuidado. ¡Cómo palpita el pequeño perro en medio de un agua encrespada! ¡Cómo pesca el pez saltarín una muchacha de mirada perdida! Pocos trazos, varias manchas, lentamente superpuestas, un empaste amasado con papel de estraza; cosas para ocultar el arte.

No te será fácil guardar solo para tilo que gusta a muchos
Lo solías repetir, poniendo cara de abogado de secano: Los que podéis disfrutarlo no tenéis una buena bolsa; quienes la tienen, con frecuencia no lo disfrutan de verdad. El arte, el trazo palpitante, desgarrado, el luminoso azul apastelado de unas flores que hablan (no son buenas, son para vender), la enigmática tabla de planchar, inmensa, estorbando en el pasillo del ático de la plaza del Pilar, el refulgente meteoro verde emergiendo de un oscuro sideral. Ese tríptico medio cubista, de blancos oscuros, grises claros y azules grisáceos (es para mi hijo) que un envidioso profesor lesionó, porque podía hablar de arte en su aula, pero no era capaz de practicarlo.


Es hermoso que te señalen con el dedoy digan: ¡Es él!
Decenas de pies en Fortea, sin mudar el gesto. Una Llueca que pone los huevos al revés. Conchas engastadas en universos minerales de inmensa variedad de pasteles virantes. Trazos decididos de gouaches ya antiguos, que saltan desde el cartón preguntando ¿qué hago aquí? La locura de los Pasos para una nueva danza, salida del informe grafito y meciéndose en el aire. Angelotes superdotados e impúdicos que agitan alas y sexo, dando brillo al cielo desvaído desde el que se desparraman en una danza de papel. Aunque vaya a tomar la caña en Belanche o el tinto en El Espejo o a comentar sobre el tiempo con los amigos de Santa Marta, todos saben quién es. La mayoría, además, conocen su historia, sus viajes, sus amistades, sus estancias. Conocen bien sus afectos y con quién comparte un áspero pero vitalista devenir (sin nombre, sin nombres aquí, por favor). Y, sin levantar la mano le señalan —agradecidos por el trato cotidiano, ni condescendiente ni altanero— con la mirada: ¡Es él!
Joven embarazada

Su decisión sigue inmutable;en vano le resbalan las lágrimas
Así lo hubiera dicho Virgilio; así lo hizo Maturén. Vueltas y vueltas, períodos de dureza indescriptible, abismado en la hondura de un cerebro brumoso pero decidido. Calma de amigos (¡qué paciencia, doctora!) y retamas y romeros como abanicos (rojos, verdes, azules) de Sierra de Luna. Guardando, una a una, un tesoro de pesetas de bronce que llenan de fulgor de Alí-Babá la damajuana que encandila a los niños, al lado del fusil para matar elefantes, que es una vulgar escopeta de caza, y el bramante de inmovilizar tiburones, que es un largo cordel de esparto. No hay desmayo, ya pasará. Y pasa. La azul muchacha que medita en su preñez, lo sabía, y esperaba la nueva época, aún convencida de que sus facciones y sus manos jamás recibirían el retoque final. Esperaba entre naturalezas muertas, llenas de negro brillante y rojo marchito, el salto definitivo. Que encuentra apoyo e impulso en personas próximas, luego lejanas y que ahora estará viendo Ángel con más claridad. Con frecuencia las lágrimas del alma nublan la percepción del mundo y arrastran al desenfoque o la falta de reconocimiento.

Son pocos los que aman la libertad; lamayoría sólo busca un amo benigno
Salustio interpreta así un hecho de cotidiana comprobación: la libertad lleva a asumir personalmente un compromiso y por eso, aunque predicada y exaltada públicamente, es rechazada con horror por tanta, tanta gente. No te veo en los catálogos. Alguna breve reseña, una mención urgente. Pero no estás en la crema. No te lo van a perdonar, siempre haciendo lo que quieres (es decir, lo que te da la gana) orgulloso de tu albedrío. Incluso en exceso (¿del propio orgullo o del libre albedrío?). Pagarán tu desprecio en moneda de silencio envidioso, pero no será por siempre.
Ilustración para Cocinar Navarra

La envidia se ceba en los vivos.Después de la muerte se apacigua,defendida por la gloria que se ha merecido
Aunque eso no es gratuito, ni cae simplemente por su peso. Voluntades persistentes, apoyos merecidos pero a veces incomprendidos, permiten que San Atilano y la angosta de San Bernardo, en lo más empinado de Tarazona, enseñen al que no sabe, por simple ignorancia, por pura ausencia o por mezquino silencio, que aquí ha recalado, para su último viaje, alguien que adorna con brillo propio al Aragón que amamos.

La muerte abre las puertas de la fama ycierra tras de sí la puerta de la envidia
Creen que ya no los ves. Por eso se van a apuntar al festival. Por eso te van a reconocer, porque el juez está por encima del justiciable y es quien decide a la postre. Ya no les vas a mirar de medio lado, levantando las cejas, tras una espesa columna de humo de cigarrillo. Otra ventaja de haber pasado al otro lado. Por cierto, lleno de plomo (como un héroe de película) aspirado y absorbido en la última deslumbrante serie de bruñidos telúricos, brotes de lava cristalina con briznas de color exaltado. Ya podéis incluirme en un catálogo de papel lujoso, comentarme y glosarme; no hay temor de que vuelva a desmentiros ni a que os cante un par de cosas bien dichas.
Niveles de conciencia

Ya he vivido bastante, porquemuero sin haber sido vencido
No ha visto Maturén la desolación de la decadencia. Un camino continuo y accidentado, pero ininterrumpido, señala su paso por la vida. No se retira como boxeador sonado, ni como artista desfondado, ni como rabia vital vencida. Se ha marchado al destino definitivo, dejando en el aire la convicción de que lo mejor estaba por llegar. ¡Quién pudiera acabar así!

Murió llorado por muchas gentes de bien
Poco hay que añadir a la expresión de Horacio. Has dejado el velo a medio levantar, la certeza de una obra inconclusa y preñada de futuro. Y además, el reconocimiento y el afecto de muchos, cada uno en su nivel y condición. Y en su tiempo; antes, ahora siempre. Probablemente, también después. Y también, como humano, algunas enemistades inmerecidas por algún amigo, surgidas sobre todo de errores de comunicación.
Velador con florero

Todo toma un brillo especialcuando se observaen la proyección del recuerdo
¿Y por qué renunciar a esa cualidad del ser humano? A distancia, sí. Como la brutal pincelada de Francisco de Goya en la mejilla de santa Engracia, en los párpados de san Lamberto, que destellan cuando se contemplan desde el suelo, a ras del embaldosado de lo cotidiano, de la existencia vulgar. Como el brillo sosegado de la luna, mientras esperas a que los perezosos barbos piquen, que deja el recuerdo de la luz arrulladora y anula la rememoración del frío de la madrugada.

La vida de los muertos estáen la memoria de los vivos
Te equivocaste, completamente, con tu frasecita; Cicerón, que era gente de muchas letras, lo dice bien claro. Ahora, desde el reposo del trabajo concluido, sigues viviendo sin dolor en la memoria de tu familia, tus amigos, tus enemigos, tus cartones, tus lienzos, tus tablas… Y creo que no sólo así, sino en un destino de paz y acogimiento, en la culminación del anhelo que nos empuja a seguir viviendo hasta dar el salto y empezar a vivir de verdad. Y, de todas formas, para quienes no entienden así la vida, perpetuarse en los vivos ya es un destino fuera de lo común. La tablilla confuciana de los antepasados es ahora una obra llena de vida y de fuerza. ¡Me alegro de tu error! No has sido olvidado por quienes conocieron tu obra y tu disfrazada humanidad; dentro un tiempo, el incienso volverá a humear antes tu tablilla vital. No seguirás olvidado.

Francisco Abad Alegría (Pamplona, 1950; pero residente en Zaragoza) es especialista en neurología, neurofisiología y psiquiatría. Se doctoró en medicina por la Universidad de Navarra en 1976 y fue jefe de servicio de Neurofisiología del Hospital Clínico de Zaragoza desde 1977 hasta 2015 y profesor asociado de psicología y medicina del sueño en la Facultad de Medicina de Zaragoza desde 1977 a 2013, así como profesor colaborador del Instituto de Teología de Zaragoza entre los años 1996 y 2015. Paralelamente a su especialidad científica, con dos centenares de artículos y una decena de monografías, ha publicado, además de numerosos artículos periodísticos, los siguientes libros sobre gastronomía: Cocinar en Navarra(con R. Ruiz, 1986), Cocinando a lo silvestre (1988), Nuestras verduras (con R. Ruiz, 1990), Microondas y cocina tradicional (1994), Tradiciones en el fogón(1999), Cus-cus, recetas e historias del alcuzcuz magrebí-andalusí (2000), Migas: un clásico popular de remoto origen árabe (2005), Embutidos y curados del Valle del Ebro (2005), Pimientos, guindillas y pimentón: una sinfonía en rojo (2008), Líneas maestras de la gastronomía y culinaria españolas del siglo XX (2009), Nuevas líneas maestras de la gastronomía y culinaria españolas del siglo XX (2011), La cocina cristiana de España de la A a la Z (2014), Cocina tradicional para jóvenes (2017) y En busca de lo auténtico: raíces de nuestra cocina tradicional (2017).